A água do rio continua a correr… O presente espaço é uma partilha de palavras e de imagens, desabafos e expressões com emoção e significado próprio…
30 janeiro 2012
A Estética
O objectivo da educação.
Será meu objectivo mostrar que a função mais importante da educação está relacionada com uma orientação psicológica e que por esta razão a educação da sensibilidade estética é de importância fundamental.
A teoria a desenvolver abrange todos os modos de auto-expressão, literária e poética (verbal), assim como musical e auditiva, e forma uma abordagem integral da realidade que deveria chamar-se educação estética - a educação daqueles sentidos em que se baseiam a consciência e finalmente, a inteligência e raciocínio do indivíduo humano.
in: Herbert Read, A Educação pela Arte, Edições 70, Lisboa, 1982, p. 20.
27 janeiro 2012
Ilustrarte | Valerio Vidali
Que um ilustrador ame a pintura, não é de admirar.
Mas quando esse amor se transforma em paixão, o ilustrador transforma-se em pintor … e tudo pode acontecer.
O que era realista, hiper-realista, passa a ser pessoal.
Os colossos tornam-se maquinais.
Os animais, espantosos.
Os alfabetos, fabulosos.
As cozinhas, grandes como jardins
E os jacintos e as rosas exalam perfumes, como só as flores pintadas com paixão o podem fazer!
in: Martin Jarrie, Museu de Electricidade, Lisboa, 2011
24 janeiro 2012
O Tempo
Caso o cérebro utilize o tempo para integrar processos separados em combinações significativas, esta seria uma solução sensata e económica, mas não seria uma solução desprovida de riscos e problemas.
O principal risco seria a dessincronização (mistiming). Qualquer disfunção do mecanismo de regulação do tempo criaria provavelmente uma integração adulterada ou uma desintegração. Talvez seja isto que de facto acontece em estados de confusão causados por traumatismos cerebrais ou em alguns sintomas de esquizofrenia e outras doenças mentais.
O problema fundamental criado pela ligação pelo tempo (time binding) tem a ver com a necessidade de manutenção de uma actividade intensa, em diferentes locais, durante o intervalo de tempo que for necessário para a elaboração de combinações significativas e para o processo do raciocínio e da tomada de decisões.
Por outras palavras, a ligação pelo tempo requer mecanismos de atenção e de memória de trabalho poderosos e efectivos, e a natureza parece ter acedido em fornecê-los.
in: António Damásio, O Erro de Descartes, 2011, p. 136.
18 janeiro 2012
O Organismo Interior
O cérebro e o corpo encontram-se indissociavelmente integrados por circuitos bioquícos e neurais reciprocamente dirigidos de um para o outro. Existem duas vias principais de interconexão.
A via em que normalmente se pensa primeiro é a constituída por nervos motores e sensoriais periféricos que transportam sinais de todas as partes do corpo para o cérebro e do cérebro para todas as partes do corpo.
A outra via, que vem menos facilmente à ideia embora seja bastante mais antiga em termos evolutivos, é a corrente sanguínea; ela transporta sinais químicos, como as hormonas, os neurotrnsmissores e os neuromoduladores.
in: O Erro de Descartes, de António Damásio, Círculo de Leitores, Lisboa, 2011, p. 126.
09 janeiro 2012
O Professor
A minha primeira conclusão foi que os bons resultados na criação dependem, na escola como na classe, duma atmosfera simpática.
A atmosfera certa pode existir numa escola de vila ou nas barracas escuras duma qualquer cidade industrial.
A atmosfera é a criação do Professor.
Criar a atmosfera de espontaneidade duma feliz indústria infantil é o segredo essencial e talvez único do sucesso de ensinar.
in: Herbert Read, A Educação pela Arte, Edições 70, Lisboa, 1982, p. 354.
03 janeiro 2012
Herbert Read | A Arte
A arte deve ser a base da educação.
"Todas as grandes revoluções são feitas em pensamento. Quando se produz uma mudança no pensamento humano, a acção segue a direcção do pensamento como um navio segue a direcção indicada pelo seu radar." (Tolstoi)
in: Herbert Read, A Educação pela Arte, Edições 70, Lisboa, 1982
28 dezembro 2011
Dança e postura do corpo | Neurónios
Neurónios-espelhos no córtex pré-frontal ou nas áreas
parietais (e provavelmente noutras) tratam das representações partilhadas - as
imagens mentais que nos acodem ao espírito quando falamos com alguém a respeito
de qualquer coisa que é familiar a ambos. Outros neurónios envolvidos no
movimento activam-se quando nos limitamos a observar as acções de uma pessoa -
incluindo a intrincada dança de gestos e de posturas corporais que fazem parte
da conversa.
Células do opérculo parietal direito que codificam
dados de retorno cinéticos e sensoriais começam a funcionar quando orquestramos
os nossos próprios movimentos em resposta ao nosso interlocutor.
Quando se trata de ler e responder às mensagens
emocionais de um tom de voz, activam-se os circuitos que ligam a ínsula e o
córtex pré-motor ao sistema límbico, especialmente a amígdala. À medida que a
conversa prossegue, ligações directas da amígdala ao tronco cerebral controlam
as nossas respostas autonómicas, acelerando o ritmo cardíaco caso as coisas
aconteçam.
in: Daniel Goleman, Inteligência
Social, Círculo de Leitores, Lisboa, 2010, p. 469.
23 dezembro 2011
Kandinsky | Composições: Arte e Música
O pintor Wassily Kandinsky, nasceu em 1866 em Moscovo, foi para a Bauhaus (Alemanha), e faleceu em 1944 em Paris.
"O Fim da Ilusão" deu origem ao conceito de Expressionismo Abstracto, termo usado por Kandinsky em 1929.
Segundo o artista a pintura é uma provocação de emoções e de sensações cromáticas complexas.
Kandinsky com a sua obra esperava fazer vibrar harmoniosamente o espírito do observador e de modo algum perturbá-lo através da disturção.
Aos olhos do artista, emoções como o Amor, não tinham lugar na arte.
Ele tencionava fazer vibrar a Alma humana (o transcendal e o metafísico na esfera da pura espiritualidade).
18 dezembro 2011
Embrulho | Presente
Na China, o embrulho de um objecto sempre foi feito obedecendo a uma regra imutável que não tem em conta a forma do objecto a ser embrulhado. O papel, ou qualquer outra matéria, é colocado diante da pessoa de forma a coincidir com os quatro pontos cardeais, uma ponta para cima, uma para baixo e as outras duas, uma para cada lado, para a direita e para a esquerda; o objecto, que se encontra, teoricamente, no centro, representa o quinto ponto tão caro aos Chineses: torna-se o centro do mundo, o objecto de uma atenção quase sagrada. Este procedimento não exige qualquer tipo de cordel para segurar o embrulho: desta forma, jamais se desfaz. Porém, o objecto assim embrulhado adquire, sobretudo, o valor de um pequeno universo, centro de cuidados, de atenção e de intenção.
Sabe-se que esta arte de embrulhar continua a ser, no Japão, uma forma observada por todos, com um cuidado extremo. Os nossos embrulhos de presentes de Natal nada são comparados com a mais simples embalagem japonesa. Isto porque, segundo a meditação de Jean Barthes, o objecto, como que escondido sob uma multiplicidade de invólucros por todo o lado papel, tecido, madeira, etc., acaba por não ter qualquer importância; dir-se-ia, em linguagem corrente, que ele tem apenas um valor simbólico; seria mais justo dizer que a embalagem, que materializa o gesto do presente, se torna, em última instancia, um pensamento (BARS, 60) por detrás do qual o significado, isto é, o conteúdo do embrulho se aproxima do vazio. O conteúdo simbólico – e, portanto, o verdadeiro conjunto de significados oculto por destras da aparência exterior do embrulho – é descoberto ou lido na própria embalagem à medida que é desatado, desdobrado, despido.
Ver: Jean Chevalier & Alain Cheerbrant, Dicionário dos Símbolos, Teorema, Lisboa, 1994, p. 283.
17 dezembro 2011
Conhecimento Visual | Semir Zeki
Evolução do Pensamento Criativo
"O conhecimento visual não é apenas o que se adquire ou expressa pela linguagem. Há um conhecimento visual.
Kant na 'Crítica do Julgamento' explorou a maneira como a arte está relacionada ao sentimento de prazer e bem estar.
A arte é um subproduto da principal função evolutiva do cérebro, que é a aquisição de conhecimento.
O sistema de prazer está profundamente ligado à evolução, mas não se deve achar que se vai encontrar uma ligação directa e óbvia entre os dois, pois muito frequentemente são subprodutos.
O prazer estético - o corpo e a mente em equilíbrio. As áreas activadas no cérebro são o córtex motor, responsável pelo movimento. Quando vemos algo que consideramos feio, ele é activado com mais intensidade, como se quiséssemos fugir. Quando vemos algo bonito, a intensidade é menor, mas também está presente.
in: Semir Zeki, Splendors and Miseries of the Brain, London, 2010
Emotional Design | Donald Norman
A reacção e o comportamento ao Objecto
O prazer de conceber, usar e guardar objectos levam-nos a um conceito: Design Emocional.
Aproxima-mo-nos do mundo das emoções e das relações afectivas entre os indivíduos e os seus objectos.
É neste contexto do cérebro emocional e dos seus mecanismos que entramos no conhecimento dos processos de cognição, visualização e identificação ou identidade.
"No mundo do design nós associamos emoções e beleza!
Criamos coisas atractivas que as pessoas não têm no seu dia-a-dia, nós gostamos de coisas bonitas, porque elas nos fazem sentir bem. As emoções reflectem então experiências pessoais, associações e memórias."
in: Donald Norman, Emotional Design, Basic Books, New York, 2004
16 dezembro 2011
Durante o Rio
ÁGUA
Origem da Vida, Nascimento, Reprodução, Fêmea, Óvulo
Ciclo da Vida - desde o nascimento à morte
O Círculo - a Terra, o Óvulo, o Oceano
O Artista - a expressão visual, a imaginação, a comunicação
A Arte - junta a ciência à representação visual
Ver: www.cristinataide.com
14 dezembro 2011
Dos «Poemas Inconjuntos»
Se eu morrer novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
(…)
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
(…)
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Ver: Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio, in: Dos «Poemas Inconjuntos» (1913-1915), pp. 231 a 242.
11 dezembro 2011
Malevich | Cruz
Um Mundo Sem Objectos.
O Suprematismo é a inexistência de fronteira entre o mundo sensível e o mundo metafísico.
O Quadrado é a forma pura e abstracta que consegue conter todas as formas geométricas. O Preto absorve todas as cores. O Branco reflecte todas as cores.
O Negro é o momento em que Tudo é criado! A partir do Zero. O Branco é o infinito.
A Cruz é um dos Símbolos mais antigos desde a mais alta Antiguidade: Egipto, China, Creta … Como o Quadrado a Cruz simboliza a Terra. A Cruz dirigida para os Quatro pontos cardeais, é em primeiro lugar, a base de todos os símbolos de orientação, nos diversos níveis de existência do homem.
10 dezembro 2011
A Tudo Quanto Existe Me Hei-de Unir | Poema
Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.
Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como um beijo.
Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.
in: Em Todos os Jardins, Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
07 dezembro 2011
Dan Flavin | Luz
A despersonalização do fazer artístico por recurso à produção industrial - factura fabril, amíude serial, em substituição da intervenção directa do artista na feitura da obra -
A autoria de referencialidade dos materiais - valência pelas propriedades físicas -
E a implicação do espectador numa receção mais activa da obra - são directrizes atribuíveis à arte dita minimal -
26 novembro 2011
25 novembro 2011
Arte Contemporânea Russa
Maxim Kantor é um artista russo, nasceu em Moscovo, em 1957.
O seu trabalho insiste no desenho, na exploração do traço, do riscar, da grafite e do carvão sobre o papel, ou ainda o desenhar com tinta sobre a textura das folhas, uma busca, uma exploração do mundo através da sua curiosidade, bem como das propostas de materiais e das técnicas exploratórias de registo.
Ver: www.maximkantor.com | www.maximkantor.com/FOTO/shows/portugal.htm
16 novembro 2011
Gabriela Albergaria | Herbes Folies
A Natureza, o desenho, a inspiração e a criação, processos de pensamento, de associação, de imaginação.
O ser humano e a evolução do cérebro.
O recorte, a montagem e a criação de novas imagens a partir de conexões e de associações estabelecidas pelo processo de imaginar.
O conhecimento visual a partir de estímulos e de provocações do olhar, uma interacção de ligações profícuas e ricas no corpo que as recebe, através de todos os sentidos activados.
09 novembro 2011
Robert Motherwell | Monocromia
Artista americano, ficou impressionado com a arte europeia, sobretudo com Matisse e Picasso.
O artista envolveu-se com os problemas humanos da época em termos mais filosóficos.
"O instrumento da pintura é a cor e o espaço: o desenho é essencialmente uma divisão do espaço. A pintura é o espírito que se compreende a si mesmo através da cor e do espaço."
Robert Motherwell | in: Arte do Século XX
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