Aguarelas Finas, Le Corbusier | Maison La Roche, Paris

05 novembro 2024

Dentro da Loja Mágica | Dr. James Doty

Achava que tinha sorte quando, ao contrário da maioria dos meus amigos, nunca tinha de estar em casa a horas certas (…) Por vezes, aquilo que mais queremos é apenas ter alguém que fale connosco, que nos diga qualquer coisa. Porque isso significa que somos importantes. (…) Os adolescentes anseiam por liberdade, mas só se tiverem um suporte estável e seguro. (…)

Na escola de Medicina iria estudar o coração. (…)

Eu nunca ouvira dizer que cientistas famosos tivessem odiado os pais ou tido problemas com colegas de escola. (…) Hoje sei que grande parte do que Ruth começou a ensinar-me nesse primeiro dia está relacionado com o cérebro e com uma resposta extrema ao stress, ou aquilo a que a maioria das pessoas chama "lutar ou fugir". Se o cérebro deteta uma ameaça ou se teme pela sua sobrevivência, aquela parte do sistema nervoso autónomo chama sistema simpático reage e liberta pinefrina. (…)

Passa-se o mesmo com as feridas do coração. Precisamos de dar-lhes atenção, para que possam sarar. Caso contrário, a ferida continuará a fazer-nos sofrer. E por vezes durante muito tempo. Todos sofremos. É assim que as coisas são. Mas a verdade é que aquilo que nos magoa e nos faz sofrer também tem um importante propósito. É quando são feridos que os nossos corações se abrem. Através da dor, vamos crescendo. Crescemos com as situações difíceis. É por isso que temos de aceitar cada problema que surge na nossa vida. Tenho pena das pessoas que não têm problemas, que nunca passaram por momentos difíceis. Perderam a recompensa. Perderam a magia. (…)

Passara grande parte da vida a comparar-me com amigos (…)

A outra parte do processo de abrir o coração que vais ter mesmo de praticar - é importares-te contigo mesmo. Eu importava-me comigo. Isso ia ser fácil. (…) Cada um de nós escolhe o que é aceitável na sua vida. (…)

Jim, muitas vezes aqueles que nos magoam são os que mais estão a sofrer. (…)

E se conseguíssemos curar as nossas próprias feridas (…) Algo que todo o ser humano tem em comum é o primeiro som que ouve. O bater do coração da mãe. (…)

Quando os monges ouviram isto, desatar a rir. (…) »Toda a gente sabe que a compaixão não vem do cérebro, mas sim do coração.» A investigação mostra que o coração é um órgão inteligente. (…)

Ruth estava a melhorar a minha capacidade para controlar as emoções, a aumentar a minha empatia, as minhas aptidões sociais (…) Tentei abrir o coração. Fiz todos os esforços para recitar as minhas afirmações. Porém na minha mente eu continuava a ser o menino pobre, que vivia num pequeno apartamento e que tinha muitas vezes fome de comida e de amor. (…) Ruth ensinou-me a levantar-me sozinho. (…)

Há um velho provérbio, que diz: «Quando o estudante está pronto, o professor aparece.» Eras tu quem estava pronto. (…)

Há um imenso poder contido no propósito de cada um. (…) Cada um pode alterar o seu cérebro, percepções, reações e até mesmo o seu destino. Foi o que aprendi com a magia de Ruth. Podemos usar a energia das nossas mentes e a dos nossos corações para criar tudo o que quisermos. É um trabalho duro. (…) 

A energia não pode ser criada nem destruída. No entanto, pode mudar de forma e fluir de um local para outro! Essa é a dádiva que nos foi concedida. A energia do Universo está dentro de nós. Está na poeira das estrelas que nos enforma. Todo esse poder de criação. De expansão. Todo esse poder maravilhoso simples, sincronizado. A energia pode fluir de um sítio para outro. E de uma pessoa para outra. (…)

O tronco encefálico desenvolve-se e coordena as funções vitais essenciais, tais como o ritmo cardíaco, a respiração ou a pressão sanguínea - criando as condições para a vida fora do útero. (…) O cérebro não tem hipótese de se reformar - e cada experiência importa. (…)

Continuei a despejar o meu coração, durante o que pareceu uma eternidade (…) Sabem que não há a mínima prova de que um GPA elevado equivalha a vir a ser um bom médico. (…) Então o reitor levantou-se e apertou-me a mão. (…)

Nunca planeei tornar-me neurocirurgião. (…) Mais ainda, ser cirurgião plástico dos ricos e famosos era financeiramente compensador (…)

Aprendera a visualizar o que queria (…) Tornara-me arrogante. Conseguir tudo o que queria(…)

Como se estivesse a sonhar, vi-os embater de frente, contra uma árvore enorme. Nessa altura ficou tudo preto. (…) E tudo, ficou escuro. (…) Ainda tinha os olhos fechados, mas conseguia ouvir o hip dos monitores. (…)

Ao longo da vida podemos morrer milhares de vezes e essa é uma das maiores dádivas de estar vivo. (…) Senti o calor da luz e a unidade com o Universo. (…)

Bússola do coração. (…) Ao longo da vida, todos passamos por situações que nos fazem sofrer. Chamamos-lhe feridas do coração. Se as ignorarmos elas não saram. (…)

O teu coração é uma bússola e é o teu bem mais precioso. (…) O que pensas querer, nem sempre é o melhor para ti. Pensei que queria dinheiro. Na verdade, eu tivera dinheiro, mas parecia nunca era suficiente. (…) E eu continuava tão só, assustado e perdido como no primeiro dia em que conheci Ruth. (…) 

Adormecera a visualizar o meu coração. (…) Fechei os olhos e imaginei o meu coração a abrir-se (…) Enviei amor e perdão a mim próprio. (…)

Era altura de recomeçar a tornar-me realmente uma pessoa cujo valor não tinha a ver com dinheiro que possuía. (…) O cérebro tem os seus mistérios, mas o coração tem segredos que eu estava determinado a descobrir. (…)

Existe um epidemia de solidão (…)

Depois de ter perdido a minha riqueza, dediquei-me a ajudar os outros (…) Agir com bondade e compaixão e com um propósito. (…) 

Quando o amor é dado livremente, muda tudo e todos!


in: Dentro da Loja Mágica, de Dr. James R. Doty, 4ª Edição, Editora Leya, 2024