Aguarelas Finas, Le Corbusier | Maison La Roche, Paris

01 dezembro 2020

Eternar a Natureza | Ana Gaspar

 

O Homem e a Arte. O Homem e a relação com a Natureza. 

Da interação com o espaço natural, e a partir dos materiais que dele se podem extrair, resultam momentos carregados de sentimentos e de emoções de fundo, como o prazer do instante e da "intimidade" desse espaço interior, cujo acto de espiritualidade e de entrega a esse local produz um acto criativo que daí até à sua interligação através dos materiais recolhidos no imediato se revelam numa criação eterna desse momento único. Este veículo de comunicação entre o indivíduo e a sua atitude revela um eternar a natureza, num registo visual cujo importância demostram ao universo da arte.

Desta relação "amorosa" entre Homem e Natureza, podem e resultam Obras de Arte únicas, que "vieram da Terra e para ela retornam", num "Eterno Retorno" do sentir da vida (tal como Nietzsche escreveu e pensou). Ainda e todo este encanto pela Beleza Natural à sua volta, o Homem-Artista desperta para um olhar sensível, curioso, e de uma entrega, à sua paixão de criação, tal como uma criança desperta a sua alegria, ao olhar a flor, a árvore, o céu, as cores, e a abundância de vida à sua volta, sentindo-se a ela ligada, como fazendo parte de um Todo, Natural e Humanizado, através da sua presença! (Tal como Einstein também chamou a atenção para a importância do "encanto" e da "curiosidade" na criança).

Em todo este processo, o Artista-Homem, com o seu poder criador, e com a sua visão ampliada pelo processo da vida natural, observando cada pormenor da vida vegetal e animal, se apropria de cada parte, proporcionando bem estar físico, emocional e ampliando este prazer aos olhos, através da sua criação neste espaço, proporcionando aos outros homens, um encanto, muitas vezes perdido, pela urbanidade, esquecida do contributo e da importância do verde, das cores, e sobretudo do movimento da Terra! 

A Terra, este local maravilhoso que permitiu a existência deste Artista-Homem sempre parte da vida natural, e a partir da qual aprendeu a criar, e potenciar a sua homeostasia nas suas criações fantásticas. A importância do movimento da Terra, do Sol, da Lua, e do próprio olhar e movimento do Homem ao longo destes milhões de anos carrega em si o poder da criação, como algo único e ancestral. 

No mundo contemporâneo, a necessidade de criação a partir do espaço natural é emergente e urgente, nesta relação antropológica, com a arte, e o ciclo natural.

in: Apontamentos de Ana Paula Gaspar, Maio de 2020

in: Obras de Arte: Círculo Nº 3 (Pinhas), e Círculo Nº 10 (Alfazema Selvagem), de Ana Paula Gaspar, 8 de Fevereiro 2020, e 22 de Março 2020. O núcleo é constituído por um total de 21 obras, designadas por Círculo e numeradas pela data de criação, desde Janeiro a Novembro de 2020.